The Project Gutenberg EBook of Compendio da relaam, que veyo da India o
anno de 1691, by Vicente Barbosa

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Title: Compendio da relaam, que veyo da India o anno de 1691

Author: Vicente Barbosa

Release Date: November 28, 2006 [EBook #19947]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

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Compendio da Relaam,
Que Veyo da India o Anno De 1691.

A El-Rey N. S. Dom Pedro II.

Da Nova Missam dos Padres Clerigos Regulares
da Divina Providencia na Ilha de Borneo.


LISBOA

Na officina de Manoel Lopes Ferreyra.
M. DC. XCII.

_Com todas as licenas necessarias_.




Partio o Padre Dom Antonino Vintimilha no anno de 1683.dessa Corte de
Lisboa para este Emporio do Oriente, vencidas as grandes difficuldades,
que experimentou em Madrid, impedindolhe o fervoroso desejo de passar 
India, o grande credito, [q'] as suas singulares virtudes tinha grangeado
em toda Espanha, & continuou na mesma estimaa neste Oriente pelo
indefesso zelo, com que sempre procurou a salvaa das almas. Agora neste
presente anno de 1687.em que tratta o Governador deste Estado, Dom Rodrigo
da Costa, de assentar h[~u]a feitoria na vastissima Ilha de Borno, a qual
tem de circumferencia 550.legoas, & de que se espera para a Coroa de
Portugal grandes utilidades, porque sobre ser muito abundante de todos os
generos de mantimentos, se acha nella grande quantidade de diamantes, que
excedem aos de Golcond, de pedras bazares melhores, que as das outras
partes, pimenta mayor que a de Sirla, canfora muita, & fina, madeira
muito forte, muitas minas de metaes, principalmente de ouro, & finalmente
gr[~a]de ab[~u]dancia de todas as cousas, que nas mais partes do Oriente
se acha.

E dando noticia o Capito Luis Francisco Coutinho, Fidalgo de grandes
prendas, muy zeloso do servio de Deos, & de Sua Magestade, deste designio
do Governador, aos Padres da Divina Providencia, lhes representou quanto
necessaria seria h[~u]a missa naquella terra, pois sendo descuberta ha
196.annos, nunca fora cultivada de Operarios Evangelicos, & que aceitando
a ditta missa, todo o gasto correria por sua-conta. Foi ta bem aceita de
todos os Religiosos deste Convento esta proposta, & principalmente do
Padre Dom Antonino Vintimilha, [~q] logo se offereceo para esta empresa,
promettendo ao Capita partir na primeira mona, como succedeo a 6.de
Mayo; & foi ta feliz a viagem, que admirou aos navegantes, por serem muy
ctinuas naquelles mares as tempestades.

Aos 12.de Junho chegou a Malaca, & em 3.dias que alli se deteve, reduzio a
hum Bracmane, natural de Goa, o qual levou em sua companhia para a China,
& a h[~u]a molher nobre, que havia 12.annos abrara a seita de Luthero, &
tambem a hum seu grande bemfeitor, chamado Joa Vaz, o qual padecia
grandes afflices por h[~u]a divida, & estando irremisivelmente para o
prenderem, deu o Padre h[~u]a Imagem do Padre S. Caetano, a qual o livrou
daquella molestia com tanta felicidade, que se foi casual, por ser
inopinada, a teve por milagrosa.

Alegre com as primicias do seu trabalho, & por ter achado a ovelha
perdida, partio aos 20.deste mez, proseguindo a viagem com grande bonana
at os 13.de Julho, em que aportou na Cidade de Maco, aonde desembarcando
com Luis Francisco, por causa de hum rijo t[~e]poral, esteve perdida a
embarcaa, & o esquife com hum marinheiro com a furia do vento
desappareceo, mas ao outro dia se achou em terra, livre, sem saber referir
o modo; o que se sabe de certo he, que toda aquella noite esteve o servo
de Deos em oraa, implorando o auxilio divino por intercessa do grande
Patriarca S. Caetano, & he de crer, fossem ouvidos os seus rogos pelas
circunstancias do successo.

Seis meses assistio nesta Cidade, dos quaes, sinco passou retirado em
h[~u]a Ermida da jurisdica dos Padres Augustinhos em virtuosos
exercicios, mas como neste lugar pelo retiro na podia exercitar o
Sacramento da Penitencia, passou para o Convento dos mesmos Religiosos,
sugeitando-se em tudo  obediencia de seu Prelado, como se fora o seu mais
inferior subdito. Aqui era ta frequentes as confisses, que todo o dia
lhe levava o confessionario.

Nesta Cidade foi Deos servido dar a conhecer os prodigiosos merecimentos
de S. Caetano, por meyo de h[~u]a Imagem sua, a qual mandou o Padre a
h[~u]a matrona illustre, que de 13.partos que tivera, nenhum chegra a
receber a agoa do Baptismo; & o mesmo foi applicar-selhe a estampa do
Santo em 2.de Dezembro de 1687.que lograr o feliz nascimento de h[~u]a
filha da qual em desempenho da divida se chamou Caetana, & foi a primeira
creatura, a que naquellas partes se impoz este nome.

Aos 12.de Janeiro de 1688.proseguio a sua viagem para Borno, & sendo muy
prospera, o foi tambem muito mysteriosa, por aportar em Banjar-massem aos
2.de Fevereiro, dia por tantas rases para sua sagrada Religia celebre, &
para aquella missa venturoso, por ter tomado o servo de Deos a Senhora da
Puresa por protectora de toda aquella Ilha. Com este feliz annuncio
entrra pelo rio acima, parando em o surgidouro em dia de Santa Agueda,
tambem mysterioso para o Padre, por lhe cair em sorte de protectora sua
aquelle anno. Aqui celebrou Missa com extraordinario jubilo de sua alma,
por se ver introdusido naquelle porto, em que lhe vaticinava grandes
venturas seu espirito. Mas logo lhe oobrou este alvoroo o temor, em que
pusera aos nossos as noticias das proximas insolencias daquelles Mouros,
com [q'] tinha trattado alguns passageiros, & receosos de correrem
semelhante fortuna, intentava sairse daquelle porto.

Sendo esta para o Padre a mayor afflica, na foi bastante ao divertir,
que em a semana Santa celebrasse com toda a edificaa os Divinos
Officios, exposto em a Quinta Feira Mayor, com a possivel decencia, o
Divino Sacramento, procurando com espirituaes practicas, que examinadas as
consciencias, fisessem todos h[~u]a exacta confissa. Fora de tanta
admirao estas festivas demonstraes, que hum Capita Mouro mandou para
ajuda dos gastos hum pouco de ouro, o qual o Padre Vintimilha com seu
desinteresse costumado lhe tornou a mdar, ficando o Mouro admirado do
desapego, & os nossos mais confirmados do despreso com que trattava as
cousas do mundo.

Neftes, & outros louvaveis exercicios se occupava o servo de Deos, para
divertir a pena de na trattar aquella gente. Qudo o Senhor permittio,
que quatro daquelles Gentios Beajs, levados de curiosidade, viessem 
nossa embarcaa, & pedindo se disparasse alg[~u]a pea, como sa de sua
naturesa muy pusillanimes, o mesmo foi sentirem o estrondo, que
retiraremse temerosos, & nesta vista lhes cobrou o Padre tanto amor, que
comeou a idear o modo, [~q] teria para ficar naquella terra.

Dahi a poucos dias viera nove, ou dez barcos dos mesmos Beajs a
commerciar com os Mouros, & na effeituando cousa alg[~u]a, h[~u] dos
nossos, sena por superior impulso, ao menos por lisongear ao Padre, lhes
foi persuadir que viessem  nossa embarcaa, o que sem difficuldade
fisera, & entrando no barco, fora do Padre com taes demonstraes de
affecto recebidos, que na despedida se mostrra muito satisfeitos, na
sendo pouca causa darlhes o servo de Deos alg[~u]as cousas, ainda que de
pouca valia, como na vistas naquellas partes, de alg[~u]a estimaa.
Depois destes viera outros dous, os quaes se detivera menos tempo, por
virem com hum Mouro espia, & em quanto assistira na embarcaa, era
notavel o respeito, com que trattava ao Padre quasi publicando-se
agradecidos a quem com tanto extremo procurava remediallos.

A demonstraa de affecto, que estes experimentra em o Padre, obrigou a
outros tres, dos quaes hum delles assim pelo tratto, como pela presena,
mostrava ser pessoa de authoridade, ao virem ver; & como na vinha
acompanhados de algum Mouro, julgra expediente os nossos darlhes a
entender, como o Padre de remotissimas terras viera quelle lugar sem
outro algum intento, mais que a livrallos da cegueira, em que vivia, &
ensinarlhes o que convinha a sua salvaa: destas rases se mostrra
agradar, o que vendo o servo de Deos, deu a cada hum seu Rosario, o qual
recebra de joelhos com grande veneraa, & ensinados a persignarse, o
fisera com tanta facilidade, que ficra admirados os nossos, & muito
mais contente o Padre, por ver qua facil seria quelles Gentios abraar
as ceremonias de nossa Santa F.

Estes fora os progressos da nova missa at os 27.de Mayo, em o qual dia
os da nao se achra desembaraados para se partirem a Maco, & foi to
grande a carga de pimenta, & outros generos, que no a podendo levar toda
a embarcao (ainda que era das mayores, [q'] frequento aquelles mares)
deixro grande parte em terra, servindo a todos de grande admirao tanta
ganancia. Verdade he, que em todo o tempo que alli se detivero, no
cessou o servo de Deos de implorar em o sacrificio da Missa com Ladainhas,
& preces, o favor divino, em o bom successo daquella jornada (conhecendo,
que delle pendio muito os augmentos da nova missa) & piamente se pde
crer fossem ouvidos os seus rogos, concedendo to prosperos successos at
a ultima hora de sua partida, a qual soi muy saudosa ao Padre, porque todo
o seu empenho era assistir entre aquella gente, como repetidas veses pedio
ao Capito, o que lhe no concedeo por temer da aleivosia daquelles
barbaros, corresse algum perigo a sua vida, contentandoo com lhe
prometter, que na segunda mono o faria.

Em a vigilia do glorioso Precursor chegro a Maco, aonde logo o Padre se
retirou  sua antigua penha, no se livrando c pouca difficuldade das
grandes instancias, com que todos os Religiosos pedio escolhesse os seus
Conventos por domicilio: porque como reconhecio nelle h[~u]a vida muy
exemplar, desejavo a sua companhia. No retiro da penha gastava a noite em
santos exercicios, & o dia todo na Paroquia de S.Loureno em o
Confessionario.

Chegada j a mona de Borno, partio a 18.de Fevereiro de 1689.levando
hum mancebo China intellig[~e]te, & practico, a quem para este effeito deu
liberdade Luis Francisco Coutinho, & outro chamado Loureno, de naa
Beaj, a quem pelo mesmo respeito libertou Fructuoso Leyte, a 30.do mesmo
mez chegra ao Porto de Banjr.

Rasa he, que agora que comea a trattar com os Gentios desta Ilha o Padre
D. Antonino, demos h[~u]a breve noticia de seus costumes: adora a hum s
Deos, que castiga os maos, & premea os bons, ao qual faz[~e] sacrificios
de prefumes; na tem algum Idolo, como as mais naes do Oriente: casase
com h[~u]a s molher, a qual zela em tanto extremo, que presumindo
offensa, com a morte do offensor vinga o aggravo, do que procede serem as
molheres muy recolhidas, & recatadas; cd[~e]na o furto, aborrecem a
mentira; vivem entre si com muita caridade, sendo todos os seus bens
communs; mostrase muy generosos com aquelles, de que recebem algum
beneficio; sa muito amigos de gloria, ainda que pela conseguir perca a
vida. Estas sa em summa as informaes, que se puder ter deste
Gentilismo.

Tornando pois a continuar a nossa relaa, quando o Padre chegou a Banjr,
estava em guerra os Mouros com os Beajs, pelo que lhe era muy
difficultosa a communicaa, & para facilitar o tratto dos Beajs, sem o
saberem os Mouros, fretou hum lantim (embarcaa commoda, & pequena) &
logo desta resolua se vio o acerto, porque comera a concorrer alguns
Beajs das povoaes visinhas, ou por curiosidade, ou por verem a seu
payzano Loureno.

Aos 10.de Maro deu principio a h[~u]a Novena ao glorioso Esposo da Virgem
S. Joseph, Protector de nossa sagrada Religia, para o que o Capita
Manoel de Araujo Gracez em o mesmo lantim levantou h[~u] Altar com a
possivel decencia. Ao segundo dia da Novena veyo hum venerando velho com
h[~u]a filha sua, hum neto mancebo, & h[~u]a molher de mayor idade, para
ver o servo de Deos, o qual os recebeo com carinhosas demonstraes de
affecto, significandolhes, [~q] segundra aquella jornada, s a fim de os
livrar dos erros, em que fora criados, ensindolhe o unico meyo de sua
salvaa, o que elles ouvira com tanto agrado, [~q] dera a entender
seria recebido de todos c grde estimaa.

Daqui em diante frequ[~e]tava os Beajs o lantim, os quaes logo comera
a acclamar ao servo de Deos por seu Tatm, que na sua lingoa he o mesmo
que, Avo, titulo entre elles de suma veneraa, & respeito; & o tratava
com tanta familiaridade, & carinho, que trazia a sua presena as suas
molheres, filhos, & filhas, casadas, & donzellas (cousa que elles recata
com grande excesso) para lhe beijarem a ma, & o santo habito, & o
reconhecessem por seu Tatm, ao qual tambem offerecia alguns limitados
presentes, que constava de h[~u]a gallinha, ou de hum pouco de arroz, ou
de alg[~u]as hervas cheirosas, os quaes elle em o principo regeitava, o
que lhes causava grade desconsolaa, no que advertindo, achou conveniente
aceitallas, com tanto, que na fossem cousas de mayor valor, que as
referidas.

Com ta bons principios se continuou, & acabou a Novena, coroada de
h[~u]as luminarias, que cercava todo o lantim, do qual sahio hum mediano
esquife, que levava arvorada h[~u]a resplandec[~e]te Cruz, de mais de
20.palmos, que gyrdo o rio, se recolheo com h[~u]a estrondosa salva de
artilheria de duas nossas embarcaes, que estava j naquelle porto, sem
que esta funca causasse perturbaa alg[~u]a aos naturaes, antes
manifesto contentamento; cousa, que sem particular moa do Ceo, se julgou
ser impossivel naquella trra.

Entre este concurso veyo o Governador, ou Capita de h[~u]a daquellas
povoaes, que se chama Ang, acompanhado de toda sua familia, visitar ao
Padre, & o trattou com tanto decoro, & affecto, que julgra os nossos
conveniente lhe fosse pagar a visita, o que fez em o dia seguinte,
acpanhado de 13.pessoas. Difficultosa cousa seria referir o alvoroo de
todo aquelle povo, que concorreo a este recebimento, por[q'] em bayles, em
variedade de instrumentos, & outras alegres demonstraes, parecia hum
glorioso triunfo, procurando todos, que o servo de Deos consentisse ser
acclamado por seu Rey, o que ao Padre servio de tanta confusa, quanta era
a sua humildade, & aos nossos de tanta admiraa, quanta requeria ta rara
supplica.

Prostrouse aos ps do Vara Apostolico o bom velho do Ang, para beijarlhe
seu santo habito, a cuja imitaa velhos, & moos, grandes, & pequenos,
procurava fazer o mesmo, huns se lanava a seus ps, outros o abraava,
& alguns ao menos o tocava, & o Ang queria logo, logo (ao que parece)
abraar nossa Santa Ley, pois (segundo deu a entender) a seguiria at por
ella perder a vida, se fosse necessario. Em consequencia do que, se
offereceo a ir pessoalmente dar parte aos Senhores de Tomongm, & Dama,
Principes supremos, que habita o interior daquella Ilha, hum dos quaes
era seu genro; & para se determinarem as circunstancias da Embayxada,
prometteo de vir ao outro dia, o que na pode ser, por se passar toda a
noite em bayles, em applauso do seu Tatm, & de canado na pode commprir
a promessa, mas veyo logo ao seguinte dia, em que foi recebido do Capita
Manoel de Araujo Gracez com muito apparato, & banqueteado com igual
grandesa.

Na conferencia determinou o Capita, que em nome do Padre levasse o Ang
hum presente aos Principes, & como a passagem havia de ser por terras dos
Mouros, a quem o Ang era sugeito, se offereceo o Capita Manoel de
Araujo, por ser muito amigo do Rey, alcanar licena; mas como elle estava
distante, & por alg[~u]as occurrencias na o pode o Capita buscar, & na
podendo o Ang sofrer tanta dilaa, pelo grande alvoroo, que tinha,
mdou dizer, que lhe levassem o presente para os Principes, que sem
embargo da licena queria ir, para o [~q] ao dia seguinte o foi buscar o
Padre, & lhe entregou o mimo, que constava de duas caixas, em que hia
alg[~u]as curiosidades da China de pouco custo, & alg[~u]s anneis, &
braceletes de vidro, & por remate h[~u]a lamina bordada com a Imagem de N.
Senhora da Puresa, & outra do Patriarca S. Caetano, para que tomassem
posse daquellas terras, & reduzissem aquelles povos ao verdadeiro
conhecimento de Deos.

Ta aceito foi  Divina bondade este obsequio, que o mesmo foi apparecer o
Ang naquellas terras, & descobriremse as sagradas Imagens, que
commoveremse todos incontinentemente com prodigioso alvoroo a admittirem
a este Vara Apostolico, para cujo effeito preparra muitas embarcaes,
que havia em o porto, & dera principio a h[~u]a de 14.braas, muito
ornada, para o condusir, & em breve tempo se preparou, & o viera esperar
 bocca do rio, em que se terminava a sua jurisdica, na passando a
diante por causa das guerras c os Mouros, & deste porto despachra ao
Ang, c o Embayxador dos Mouros (que tinha ido trattar com elles pazes)
que procurasse permisso de entrar naquelle rio, em que estava o seu Tatm;
& por haver alg[~u]a demora na chegada do Ang, & o Damo desejava ver ao
Padre, o mandou visitar por hum cunhado seu, & depois por hum seu irmo
lhe mdou dizer, que se fosse por seu consentimento, o levaria logo a sua
casa, mas que por muitas, & efficazes rases no era conveniente: logo
depois deste recado chegou o Ang com o presente do Damo, que constava de
huns bem curiosos cestinhos de palha, & cna, de ervas odoriferas, & de
outras cousas, entre as quaes vinho huns bollinhos cheirosos, que estimo
tanto, que se no concedem, seno a pessoas muito grandes, & que vivo
entre elles, para que os no levem fra do Estado, por cuja causa se
origino muitas guerras, & notando-se que as raizes das ervas vinho cheas
de terras, se soube ser esta entre elles a mayor finesa, porque com ella
significo dar posse de seus Estados.

Sendo perguntado o Ang daquelles Principes cerca do seu Tatm, lhes
manifestou o summo despreso, que professava das cousas temporaes, o modo,
& instituto de sua Religio, que prohibe no s ter rendas, mas tambem
mendigar o preciso sustento, & que seu unico intento era instruillos em a
verdadeira Religio, sem a qual se no pde alcanar o Ceo. A tudo isto
respondro muito conformes, que por isso o estimavo muito mais, & que
entendio ser hum homem celeste, do qual esperavo grandes felicidades, &
para confirmao desta sua F, estando j a armada para partir, viro cair
do Ceo hum globo de fogo, pelo que entendro, que a sua vinda era para os
alumiar: por esta causa, aonde quer que chegava a noticia do servo de
Deos, todos o vinho ver, pedindolhe, que lhe fisesse o sinal da Cruz com
agoa b[~e]ta, a qual tambem levavo com rara estimao; a raso de a
estimarem tanto foi, porque na primeira visita, advertido o Ang pelo
Beaj Loureno, que tomasse agoa benta (que estava ao entrar da porta)
porque o havia de livrar de muitos males; fello alli, & lhe cobrou tal f,
que quando foi aos Principes, levou della bastante proviso, & de crer he,
obre Deos alguns prodigios, pois a procuro com tanto extremo: o que se
sabe he, que todos os Beajs, que vem a este Varo Apostolico, fico
attonitos, sem saberem explicar o que diviso em seu semblante, & algum
houve dos nossos, que de si affirmou o mesmo.

Estando a nova misso em to bons termos, se levantou h[~u]a voz entre os
Mouros, que publicava nos queriamos apoderar de sua terra, para o que
deramos aos Beajs grande copia de ouro. Notavel embarao podia deste
alarido resultar  missa: mas a Providencia Divina, por cuja conta estava
este negocio, permittio que aos quatro de Janeiro s nove horas da noite,
viessem dous filhos do Tomongm, & Damo, acompanhados de huns seus tios,
& outras pessoas expostas a grde perigo, & por isso mettidos nas
escotilhas da embarcaa. Chegados ao lantim, mandro chamar ao Capito
Manoel de Araujo, & resolutos lhe dissero, que ainda que havia mais de
hum mez, que estavo esperando por elles com tanto incommodo, esperario
at o outro dia, em que sahisse o barco daquelle porto; & receberio ao
servo de Deos, para o que fario quantas obrigaes quisessem. O Capito,
que conhecia por largas experiencias, ser evidentes disposies da Divina
vtade, condescendeo com os rogos daquelles Principes, de que ficro to
alvoroados, que hum delles pedio h[~u]a faca para tirar sangue dos braos
(que entre elles he a mayor demonstrao de contentamento) & assim logo se
despediro dos nossos, por no ser conhecidos de seus contrarios.

Em quanto duravo estes contrattos chegou o cunhado do Sindm Principe
mais poderoso, que os referidos; o qual sabendo acaso em as terras do
Damo a vinda do servo de Deos, se veyo logo  embarcao, & sabendo no
estar ahi o Padre, sem mais detena se passou ao lantim, ade se queixou
aos Principes de no ter[~e] avisado a seu cunhado o Sindm, & que se
quisesse, em sua mesma gal o levaria s terras de seu cunhado, em que no
poderia haver perigo, por estar em paz com o Mouro; & que ao menos depois
de estar algum tempo com o Damo, & Tomongm, o deixassem ir ao Sindm, o
qual tanto que tivesse noticia, logo o viria buscar, & finalmente lhe
pedio, que no partisse, sem que elle mesmo o acompanhasse.

Aos 10.do mesmo mez chegro outros seis Beajs de terras distantes quinze
dias de jornada, os quaes s ento tivero noticia do servo de Deos, & lhe
trouxero alg[~u]as limitadas offertas, pedindolhe, que depois de estar em
as terras do Tomongm, se passasse a ensinalos, & alivialos em as suas; &
em quanto estivero c elle, no se satisfazio de o abraar, & lhe beijar
as mos, a [~q] o Padre respondia c semelhantes expresses de affecto.

Nesta consolao vivia o Padre, quando Deos, para purificar sua paciencia,
lhe permittio h[~u]a consideravel pena, por causa de os nossos comearem a
presumir ser fingido o tratto dos Beajs, & que no era cveniente deixalo
em to grande perigo; o que foi causa de se mostrar o Capito Manoel de
Araujo menos effectivo, & fervoroso; mas conhecendo o Varo Apostolico a
novidade, com grande zelo protestou da parte de Deos ao Capito, o grde
dno, que resultaria quelles povos, no o deixar em sua companhia, & que
a perdio daquellas almas seria por conta sua.

Mas no he muito fosse to grande o sentimento, de quem com tanta ansia
solicitava esta empresa, que chegou a affirmar em h[~u]a carta sua estas
formaes palavras: _Certo, certo, certo, deixra agora a gloria do Paraiso,
por trabalhar nesta vinha do Senhor at o fim do mundo, sem mais premio,
que acertar a fazer sua divina vontade_. Commovro ao Capito as rases
do Padre a condescender com o seu desejo, para o que, chegado o dia 25.de
Junho, em que desfeito o bco de area, era facil a navegao, ditta Missa,
depois de administrar a alg[~u]as pessoas o Sacramento da Penitencia, se
embarcro o Capito Manoel de Araujo Gracez com sinco Portugueses, & o
servo de Deos com quatro mancebos, hum China, a quem tinha dado liberdade
Luis Francisco, outro da mesma nao, que voluntariam[~e]te se offereceo,
o Beaj Loureno, & hum marinheiro natural de Benglla, & lem destes dous
parentes do Tomongm, & Damo, que tinho vindo para o acompanhar; & pedir
ao Capito, no faltasse em funco to grande, & para que esta fosse mais
sol[~e]ne, arvorro h[~u]a Cruz de incorruptivel madeira, & da mesma
h[~u]a tarja com as Armas de Portugal com esta letra na circumferencia:
_Lusitanorum virtus, & gloria_.

Finalmente partiro para o rio dos Beajs, no qual achro muitas
embarcaes promptas, em as quaes estario 800.pessoas, alg[~u]as das
quaes entrro na nossa, & a foro levdo aonde estava o Tomongm, &
Damo, & desde ella viero  nossa, & abraando o Capito, se lanro aos
ps do servo de Deos o Tomongm, & Damo, sem se apartarem delle, dizendo
o Tomongm a dous filhos seus, & a toda a sua comitiva, o imitassem na
venerao, & reconhecessem ao Padre por seu verdadeiro Senhor.

Sentado o Damo no meyo do servo de Deos, & do Capito, attento hum, &
outro, lhe significou o Padre o motivo, que o obrigava a ficar entre
elles, o qual era para lhes ensinar sem algum interesse o verdadeiro
caminho do Ceo, ao que respondro, que assim o querio, & se obrigavo a
tello em toda a venerao, o que pretendro firmar com sangue de suas
veas, mas no lho permittiro os nossos.

Entregouselhes logo a Santa Cruz, a que adorro todos, & o Escudo das
Armas de Portugal, que promettro collocar ao p da Cruz na primeira
Igreja, que logo levantario, & que promettio viver debaixo da Coroa de
Portugal, para o que andario trajados ao nosso modo, & por este respeito
se lhes dero vestidos, que levava para este effeito, por o terem assim
dado a entender; & por rematte pediro ao Capito; no faltasse em os
communicar todos os annos, para conhecer a summa estimao, que fazio do
seu Tatm. Concluidas estas ceremonias, se despediro levando o Padre em
h[~u]as grandes andas, no que elle consentio, por temer, que a repugnancia
lhes motivasse algum dissabor, que mal lograsse o seu intento.

Estes sa os felices principios desta nova missa, da qual se espero
muitos, & venturosos progressos ao credito da Religio Theatina, & gloria
da Coroa de Portugal, por ser[~e] ambas to empenhadas na propagao da F
Catholica.

LAUS DEO.


Notas da transcrio:

Por no existir nenhum caracter ascii correspondente a algumas letras,
foram elas substituidas no texto pelos marcadores apresentados na
seguinte lista:

[~u]=u com til por cima;
[~e]=e com til por cima;
[~q]=q com til por cima;
[q']=q com acento grave por cima.





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India o anno de 1691, by Vicente Barbosa

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Gutenberg"), you agree to comply with all the terms of the Full Project
Gutenberg-tm License (available with this file or online at
http://gutenberg.org/license).


Section 1.  General Terms of Use and Redistributing Project Gutenberg-tm
electronic works

1.A.  By reading or using any part of this Project Gutenberg-tm
electronic work, you indicate that you have read, understand, agree to
and accept all the terms of this license and intellectual property
(trademark/copyright) agreement.  If you do not agree to abide by all
the terms of this agreement, you must cease using and return or destroy
all copies of Project Gutenberg-tm electronic works in your possession.
If you paid a fee for obtaining a copy of or access to a Project
Gutenberg-tm electronic work and you do not agree to be bound by the
terms of this agreement, you may obtain a refund from the person or
entity to whom you paid the fee as set forth in paragraph 1.E.8.

1.B.  "Project Gutenberg" is a registered trademark.  It may only be
used on or associated in any way with an electronic work by people who
agree to be bound by the terms of this agreement.  There are a few
things that you can do with most Project Gutenberg-tm electronic works
even without complying with the full terms of this agreement.  See
paragraph 1.C below.  There are a lot of things you can do with Project
Gutenberg-tm electronic works if you follow the terms of this agreement
and help preserve free future access to Project Gutenberg-tm electronic
works.  See paragraph 1.E below.

1.C.  The Project Gutenberg Literary Archive Foundation ("the Foundation"
or PGLAF), owns a compilation copyright in the collection of Project
Gutenberg-tm electronic works.  Nearly all the individual works in the
collection are in the public domain in the United States.  If an
individual work is in the public domain in the United States and you are
located in the United States, we do not claim a right to prevent you from
copying, distributing, performing, displaying or creating derivative
works based on the work as long as all references to Project Gutenberg
are removed.  Of course, we hope that you will support the Project
Gutenberg-tm mission of promoting free access to electronic works by
freely sharing Project Gutenberg-tm works in compliance with the terms of
this agreement for keeping the Project Gutenberg-tm name associated with
the work.  You can easily comply with the terms of this agreement by
keeping this work in the same format with its attached full Project
Gutenberg-tm License when you share it without charge with others.

1.D.  The copyright laws of the place where you are located also govern
what you can do with this work.  Copyright laws in most countries are in
a constant state of change.  If you are outside the United States, check
the laws of your country in addition to the terms of this agreement
before downloading, copying, displaying, performing, distributing or
creating derivative works based on this work or any other Project
Gutenberg-tm work.  The Foundation makes no representations concerning
the copyright status of any work in any country outside the United
States.

1.E.  Unless you have removed all references to Project Gutenberg:

1.E.1.  The following sentence, with active links to, or other immediate
access to, the full Project Gutenberg-tm License must appear prominently
whenever any copy of a Project Gutenberg-tm work (any work on which the
phrase "Project Gutenberg" appears, or with which the phrase "Project
Gutenberg" is associated) is accessed, displayed, performed, viewed,
copied or distributed:

This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with
almost no restrictions whatsoever.  You may copy it, give it away or
re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included
with this eBook or online at www.gutenberg.org

1.E.2.  If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is derived
from the public domain (does not contain a notice indicating that it is
posted with permission of the copyright holder), the work can be copied
and distributed to anyone in the United States without paying any fees
or charges.  If you are redistributing or providing access to a work
with the phrase "Project Gutenberg" associated with or appearing on the
work, you must comply either with the requirements of paragraphs 1.E.1
through 1.E.7 or obtain permission for the use of the work and the
Project Gutenberg-tm trademark as set forth in paragraphs 1.E.8 or
1.E.9.

1.E.3.  If an individual Project Gutenberg-tm electronic work is posted
with the permission of the copyright holder, your use and distribution
must comply with both paragraphs 1.E.1 through 1.E.7 and any additional
terms imposed by the copyright holder.  Additional terms will be linked
to the Project Gutenberg-tm License for all works posted with the
permission of the copyright holder found at the beginning of this work.

1.E.4.  Do not unlink or detach or remove the full Project Gutenberg-tm
License terms from this work, or any files containing a part of this
work or any other work associated with Project Gutenberg-tm.

1.E.5.  Do not copy, display, perform, distribute or redistribute this
electronic work, or any part of this electronic work, without
prominently displaying the sentence set forth in paragraph 1.E.1 with
active links or immediate access to the full terms of the Project
Gutenberg-tm License.

1.E.6.  You may convert to and distribute this work in any binary,
compressed, marked up, nonproprietary or proprietary form, including any
word processing or hypertext form.  However, if you provide access to or
distribute copies of a Project Gutenberg-tm work in a format other than
"Plain Vanilla ASCII" or other format used in the official version
posted on the official Project Gutenberg-tm web site (www.gutenberg.org),
you must, at no additional cost, fee or expense to the user, provide a
copy, a means of exporting a copy, or a means of obtaining a copy upon
request, of the work in its original "Plain Vanilla ASCII" or other
form.  Any alternate format must include the full Project Gutenberg-tm
License as specified in paragraph 1.E.1.

1.E.7.  Do not charge a fee for access to, viewing, displaying,
performing, copying or distributing any Project Gutenberg-tm works
unless you comply with paragraph 1.E.8 or 1.E.9.

1.E.8.  You may charge a reasonable fee for copies of or providing
access to or distributing Project Gutenberg-tm electronic works provided
that

- You pay a royalty fee of 20% of the gross profits you derive from
     the use of Project Gutenberg-tm works calculated using the method
     you already use to calculate your applicable taxes.  The fee is
     owed to the owner of the Project Gutenberg-tm trademark, but he
     has agreed to donate royalties under this paragraph to the
     Project Gutenberg Literary Archive Foundation.  Royalty payments
     must be paid within 60 days following each date on which you
     prepare (or are legally required to prepare) your periodic tax
     returns.  Royalty payments should be clearly marked as such and
     sent to the Project Gutenberg Literary Archive Foundation at the
     address specified in Section 4, "Information about donations to
     the Project Gutenberg Literary Archive Foundation."

- You provide a full refund of any money paid by a user who notifies
     you in writing (or by e-mail) within 30 days of receipt that s/he
     does not agree to the terms of the full Project Gutenberg-tm
     License.  You must require such a user to return or
     destroy all copies of the works possessed in a physical medium
     and discontinue all use of and all access to other copies of
     Project Gutenberg-tm works.

- You provide, in accordance with paragraph 1.F.3, a full refund of any
     money paid for a work or a replacement copy, if a defect in the
     electronic work is discovered and reported to you within 90 days
     of receipt of the work.

- You comply with all other terms of this agreement for free
     distribution of Project Gutenberg-tm works.

1.E.9.  If you wish to charge a fee or distribute a Project Gutenberg-tm
electronic work or group of works on different terms than are set
forth in this agreement, you must obtain permission in writing from
both the Project Gutenberg Literary Archive Foundation and Michael
Hart, the owner of the Project Gutenberg-tm trademark.  Contact the
Foundation as set forth in Section 3 below.

1.F.

1.F.1.  Project Gutenberg volunteers and employees expend considerable
effort to identify, do copyright research on, transcribe and proofread
public domain works in creating the Project Gutenberg-tm
collection.  Despite these efforts, Project Gutenberg-tm electronic
works, and the medium on which they may be stored, may contain
"Defects," such as, but not limited to, incomplete, inaccurate or
corrupt data, transcription errors, a copyright or other intellectual
property infringement, a defective or damaged disk or other medium, a
computer virus, or computer codes that damage or cannot be read by
your equipment.

1.F.2.  LIMITED WARRANTY, DISCLAIMER OF DAMAGES - Except for the "Right
of Replacement or Refund" described in paragraph 1.F.3, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation, the owner of the Project
Gutenberg-tm trademark, and any other party distributing a Project
Gutenberg-tm electronic work under this agreement, disclaim all
liability to you for damages, costs and expenses, including legal
fees.  YOU AGREE THAT YOU HAVE NO REMEDIES FOR NEGLIGENCE, STRICT
LIABILITY, BREACH OF WARRANTY OR BREACH OF CONTRACT EXCEPT THOSE
PROVIDED IN PARAGRAPH F3.  YOU AGREE THAT THE FOUNDATION, THE
TRADEMARK OWNER, AND ANY DISTRIBUTOR UNDER THIS AGREEMENT WILL NOT BE
LIABLE TO YOU FOR ACTUAL, DIRECT, INDIRECT, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE OR
INCIDENTAL DAMAGES EVEN IF YOU GIVE NOTICE OF THE POSSIBILITY OF SUCH
DAMAGE.

1.F.3.  LIMITED RIGHT OF REPLACEMENT OR REFUND - If you discover a
defect in this electronic work within 90 days of receiving it, you can
receive a refund of the money (if any) you paid for it by sending a
written explanation to the person you received the work from.  If you
received the work on a physical medium, you must return the medium with
your written explanation.  The person or entity that provided you with
the defective work may elect to provide a replacement copy in lieu of a
refund.  If you received the work electronically, the person or entity
providing it to you may choose to give you a second opportunity to
receive the work electronically in lieu of a refund.  If the second copy
is also defective, you may demand a refund in writing without further
opportunities to fix the problem.

1.F.4.  Except for the limited right of replacement or refund set forth
in paragraph 1.F.3, this work is provided to you 'AS-IS' WITH NO OTHER
WARRANTIES OF ANY KIND, EXPRESS OR IMPLIED, INCLUDING BUT NOT LIMITED TO
WARRANTIES OF MERCHANTIBILITY OR FITNESS FOR ANY PURPOSE.

1.F.5.  Some states do not allow disclaimers of certain implied
warranties or the exclusion or limitation of certain types of damages.
If any disclaimer or limitation set forth in this agreement violates the
law of the state applicable to this agreement, the agreement shall be
interpreted to make the maximum disclaimer or limitation permitted by
the applicable state law.  The invalidity or unenforceability of any
provision of this agreement shall not void the remaining provisions.

1.F.6.  INDEMNITY - You agree to indemnify and hold the Foundation, the
trademark owner, any agent or employee of the Foundation, anyone
providing copies of Project Gutenberg-tm electronic works in accordance
with this agreement, and any volunteers associated with the production,
promotion and distribution of Project Gutenberg-tm electronic works,
harmless from all liability, costs and expenses, including legal fees,
that arise directly or indirectly from any of the following which you do
or cause to occur: (a) distribution of this or any Project Gutenberg-tm
work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.


Section  2.  Information about the Mission of Project Gutenberg-tm

Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
electronic works in formats readable by the widest variety of computers
including obsolete, old, middle-aged and new computers.  It exists
because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
people in all walks of life.

Volunteers and financial support to provide volunteers with the
assistance they need, is critical to reaching Project Gutenberg-tm's
goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
remain freely available for generations to come.  In 2001, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.


Section 3.  Information about the Project Gutenberg Literary Archive
Foundation

The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
Revenue Service.  The Foundation's EIN or federal tax identification
number is 64-6221541.  Its 501(c)(3) letter is posted at
http://pglaf.org/fundraising.  Contributions to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
permitted by U.S. federal laws and your state's laws.

The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
throughout numerous locations.  Its business office is located at
809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
business@pglaf.org.  Email contact links and up to date contact
information can be found at the Foundation's web site and official
page at http://pglaf.org

For additional contact information:
     Dr. Gregory B. Newby
     Chief Executive and Director
     gbnewby@pglaf.org


Section 4.  Information about Donations to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation

Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
spread public support and donations to carry out its mission of
increasing the number of public domain and licensed works that can be
freely distributed in machine readable form accessible by the widest
array of equipment including outdated equipment.  Many small donations
($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
status with the IRS.

The Foundation is committed to complying with the laws regulating
charities and charitable donations in all 50 states of the United
States.  Compliance requirements are not uniform and it takes a
considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
with these requirements.  We do not solicit donations in locations
where we have not received written confirmation of compliance.  To
SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
particular state visit http://pglaf.org

While we cannot and do not solicit contributions from states where we
have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
against accepting unsolicited donations from donors in such states who
approach us with offers to donate.

International donations are gratefully accepted, but we cannot make
any statements concerning tax treatment of donations received from
outside the United States.  U.S. laws alone swamp our small staff.

Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
methods and addresses.  Donations are accepted in a number of other
ways including checks, online payments and credit card donations.
To donate, please visit: http://pglaf.org/donate


Section 5.  General Information About Project Gutenberg-tm electronic
works.

Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
concept of a library of electronic works that could be freely shared
with anyone.  For thirty years, he produced and distributed Project
Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.


Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
unless a copyright notice is included.  Thus, we do not necessarily
keep eBooks in compliance with any particular paper edition.


Most people start at our Web site which has the main PG search facility:

     http://www.gutenberg.org

This Web site includes information about Project Gutenberg-tm,
including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
Archive Foundation, how to help produce our new eBooks, and how to
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